Eu x ventaca

Estava na rampa de Pirapora do Bom Jesus, cidade a 20 km de SP e uma rajada atras da outra,com ventos nao menos de 30 km/h e na rajada talves 45 km/h e eu com um amigo na rampa que da vista para a cidade (Norte/noroeste) e olha que não é alta, tem 180 mts.
E este é o maior perigo, pois quanto mais subisse, mais aumentaria o "vento danado".

Quando a rajada passou decolei com meu Angel Highlander e subiu como elevador. Meu amigo na rampa achando demais, curtindo muito e se equipando para participar da aventura. Fiquei muito preocupado pois nunca havia decolado em situações de risco principalmente sabendo que ali, logo acima, era rota de aproximação dos aeroportos de SP. Já a uns 500 mts, começou a preocupação fatal vento muito forte, todo speedado e com orelhão, e subindo, subindo.... Nesse instante o importante é manter a calma e saber o que está fazendo. Sabia que beijar um boeing seria terrível, não só para mim, mas seriam muitas vidas já que passam ali com 1.000 a 1500 metros.

De repente começou a diminuir a ventaca e comecei a descer lentamente. Nestas alturas meu amigo ja havia percebido minha reação e perigo. Ha 100 metros soltei o orelha e la vamo nois pra cima de novo.
E fiquei nesse impasse uns 15 minutos, subindo e descendo. Pensei que os ventos tendessem a aumentar de forma a não conseguir controlar e então resolvi não soltar os comandos antes dos 50 mts. Cheguei a essa altura e quando me preparava para a aprox e pouso, tomei um "tapa" (pensei: estou fú..) na lateral que me lançou contra um morrote.
Ao tentar esquivar e encarar o vento encanado do vale tomei outro de encontro que me rodou de forma assustadora (já pensei então:AGORA NÃO ADIANTA CHORAR). Quando dei por mim estava girando no sentido contrario saindo de um vrille e quando assumi relativamente a estabilidade,estava com vento de cauda e em rota de collisão com o morrote, o que foi inevitável...
Saldo de um vôo irresponsável: esmagamento dos ligamentos dos dois pés (não foi pior pois consegui fazer o procedimento de rolagem-paraquedas reserva, exaustivamente treinado) e um resgate de um vale onde fui levado nas costas do amigo por uns dois quilometros.

Tudo isso deixou-me várias lições que todos os dias ouvimos:
RESPEITE A NATUREZA, VOE SEMPRE ACOMPANHADO, E NA DÚVIDA, VÁ BATER PAPO E CONTAR HISTÓRIAS DE VÔOS BEM SUCEDIDOS, E NÃO IGUAIS A ESSE.

Aconteceu dia 22 de dezembro de 2000, e nesse final de ano comemoramos com tempo bom e bons vôos, o aniversário daquela tarde fatídica.

Sergio Rosati - Itu - SP

 

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