Eu
x nuvem ostra
Era dia de São Sebastião,
20 de janeiro de 2000, e uma longa fila para a decolagem
na rampa da Pedra Bonita no bairro de São Conrado me
fez decolar tarde.
A condição não era ideal, um forte Sudoeste entrava
liso, fora do rotor da Gávea, e permitia o vôo sobre
o Cochrane.
Os mais experientes iam e voltavam, principalmente as
asas, porque eu não poderia ir? Fui, tirando em direção
às antenas do Sumaré vi um Tigra - Apco voltando baixo
um cara lá de Brasília, isto me animou e continuei no
fui assim mesmo, fui até o Cristo Redentor, ou às sandálias
da estátua do Cristo, porque não deu tempo de ficar...
No momento da chegada uma asa passou por baixo, voltando
e com o piloto gritando.
O que foi que ele disse? Chup!
Compreendi quando fui sugado pela nuvem, quem gritava
agora era o vário. Direita volver e pé no fundo, acelera
Airton, mais umas orelhas de duas linhas bem puxadas,
o Vello - Sol só tem três! Saí, ufa olhei para trás
e percebi que o Cristo havia desaparecido! Só se via
a base do Corcovado penetrando densas formações.
Ei! Tinha um parapa atrás de mim, um Futura - Apco!
E o cara aí! Fala sério! Tá maluco ô mano? Quer perigo
vai andar na linha do trem, faça o que eu digo não o
que eu faço! Tranqüilidade ver o Sol iluminando a praia
da Copacabana a minha frente, então deixei voar... até
que o vário começou a chorar para baixo.
Olhei para a direita, direção Sudoeste, exatamente a
minha altura o Morro dos Cabritos! Ops! Rotor! Dá para
chegar, a praia não está longe, porém o choro intermitente
avisava: agora não dá! Fiquei um bom tempo no dá, não
dá.
Quando a praia sumiu de vez escolhi o pouso, passei,
escolhi o segundo, não deu, fiquei com a menor das opções,
se é que era opção, ou era a santa providência colocando
aquele telhado ali embaixo. Resgate?
De elevador: aperta o térreo para mim! Sai na esquina
da Rua Santa Clara com Avenida Nossa Senhora de Copacabana,
alguém conhece?
O zelador ajudou a retirar as linhas das antenas de
TV desativadas, agradeci e convidei-o para uma cerveja.
Ele educadamente recusou, mas eu tomei duas latas enquanto
dobrava a vela no calçadão da praia! As fotos foram
tiradas durante os trajetos menos tensos do vôo, mas
são absolutamente reais.
Não sou religioso, mas se fosse mereceria estar levando
um Crucifixo e as medalhinhas de São Sebastião, São
Conrado, Nossa Senhora de Copacabana e Santa Clara como
justa homenagem!
Também agradeço aos amigos André Fleury (Tigra), Luís
Ghivelder (Futura) e ao piloto de Asa (?), pelo grito!
Vejam
as fotos
Gilberto Martins de Lima
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