Eu x parapente na decolagem

Já lemos alguns relatos do feriado em Santa Rita, mas eu gostaria de contar sobre a minha arborizada na sexta-feira, para que alguém possa através da minha falha, aprender algo. Eu aprendi muito, principalmente a não ter excesso de confiança. No vôo livre é sempre bom manter a bola no chão.

A decolagem em SR, como todos sabemos, é uma mãe. Essa facilidade nos permite ficarmos iludidos sobre duas coisas:
1)- que somos bons de decolagem e não precisamos treinar;
2)- termos excesso de confiança.

Bom, vamos aos fatos:

Na sexta-feira, rampa cheia, galera do clube local e galera de Santos, capitaneados pelo grande amigo Eládio.
Eu já vinha com a mania estúpida de decolar invertido e sair voando invertido pilotando de costas. Podem xingar, é realmente coisa de '"português". Minha esposa e amigos já haviam me advertido para não fazer isso. Eu bestamente achava que estava com o controle total da situação. Já vinha fazendo isso há alguns meses.
As rajadas de vento estavam fortes e igualmente as térmicas. Esperei uma entrada de rajada, pasmem, isso mesmo, dentro da rajada e puxei a vela. Ao invés de virar de frente, fui arrancado do chão com muita pressão e decidido a pilotar "de costas". A vela subiu violentamente e o lado direito avançou. Eu comandei invertido e o lado direito continuou avançando, lentamente. Em uma fração de segundos, achei que estava comandando o lado errado e acionei o verdadeiro lado errado. A vela virou a favor do vento, que estava forte e e disparou em direção às árvores. Eu estava invertido e assim continuei, só me lembro de ter pensado, "vou arborizar", nada mais. Entrei violentamente, de costas nas árvores e senti apenas uma forte pancada na nuca. Quando voltei a mim, o Eládio, Reginaldo, Suzy e outros amigos estavam falando comigo, mas eu ainda não conseguia entende-los. Acho que apaguei por uns vinte segundos. Não lembro ao certo. Fui carregado dentro da selete até a rampa. Algum tempo depois, após me recuperar, notei que o capacete estava arranhado e amassado na nuca. O Eládio que me socorreu primeiro me disse que eu quebrei uma pequena árvore com o impacto da cabeça e que quando chegou ao local, minha nuca estava apoiada sobre o toco da árvore. Eu uso capacete fechado da Sol. Todos os presentes e eu achamos que se eu estivesse com um capacete pequeno ou "casquinha", eu teria morrido. Simples assim. Deixo a conclusão para cada um.
Decolei novamente com os amigos e fizemos um vôo até Estiva (40 km).

Aprendizado: Nunca mais vou decolar voando de costas.
Sempre treinar decolagem, controle da vela e comandos invertidos.
Não abusar jamais.
Quando me sentir excessivamente seguro, pedir para um amigo me dar uma porrada na cara.


Obs. Alguns amigos fanfarrões disseram que eu estava magoado porque o toco ainda não me escreveu e nem telefonou. Afinal, depois de uma "experiência" dessa de ré, fica chato ser abandonado.


Abraços,
Lisboa
"o autentico luso".

 

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