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Eu
x paraca
Por Léo Kabong
Gostaria de dividir uma experiência com ao amigos,
que aconteceu a
1 semana atrás, com a esperança de esclarecer mais pouco
os fatos, afinal
este foi meu primeiro acidente ( espero que seja o último)
Vou tentar
descrever com detalhes, assim pilotos que tiveram experiência
parecidas e
outros pilotos entendam um pouco melhor o que aconteceu,
e talvez possam me ajudar.
Claro que não é apenas esclarecer os fatos, mas servir
de exemplo pra muita
gente. É aquela velha idéia que "comigo nunca acontece".
Pois é, descobri
que "meu amor me traiu e ainda usou meu cartão
de crédito!" A qualquer
piloto que inconscientemente acha que roubadas enormes
não acontecem ou que aconteceu apenas com o pessoal
de parapentes competição, não dê mole pois surpresas
desagradáveis .
O que aconteceu: uma série de colapsos, negativas e
stalls a +- 700 metros
do relevo, nada de jogar o reserva, tendo como resultado
uma porrada no chão muito forte. Graças a Deus estou
vivo aqui pessoal, foi uma coisa que não tinha fim e
que começou de forma muito estranha. O coquetel perfeito
pra uma "roubada monstra": Lapse-rate enorme
no dia, pobre análise da condição, ventos Sul-Sudoeste
numa rampa de NW, 1 hora da tarde, um piloto com
confiança demais voando um paraca performance com +-
10 KG acima do peso máximo homologado.
Só pra informação da galera: tenho umas 150 horas de
vôo, sendo 50 horas de vôo de térmicas. Voei 5 paracas
diferentes sendo o Edel Promise, Apco
Futura, Swing Arcus, Advance Epsilon III, e o Advance
Sigma IV médio
(certificado 75-95kg) no qual eu voava no dia do acidente.
O paraca é DHV 2, sendo 2-3 apenas na assimétrica todo
acelerado. É dito ser um paraca da "classe sport"
com o Octane, Bagueera com linhas comuns, P70 e outros.
Eu praticava rotineiramente colapsos assimétricos e
frontais, tendo
praticado centenas de vezes. Também faço wingovers grandes
com até 90 graus de inclinação. Já tomei umas vacas
feias praticando..
Me considero um apaixonado pelo voo livre, como dizem
os amigos "tarado e
fominha". Na hora do acidente veio um sentimento
de traição enorme, e é
claro uma concentração em me manter vivo e fora do velame.
Bom vamos falar da roubada então:
O lugar que estava voando é um vale, onde a decolagem
é mais ou menos no
meio da montanha a uns 350 metros do fundo do vale.
A montanha em si tem uns 650-700 metros de altura em
média. A decolagem é virada pra Noroeste, e é sabido
que ventos de oeste funcionam muito bem também. Se vento
está muito norte ou muito sul, a coisa fica mais delicada,
sendo que pilotos decolam nos ciclos com vento totalmente
lateral e preferem ficar longe da montanha por causa
de turbulências e rotores. É pior com vento Norte
do que com vento Sul. A base da nuvem estava neste
dia por volta de 2600 metros na hora do acidente, dita
por um piloto de planador que estava nela. O vento estava
bem fraco ou nulo por volta das 11 da manhã, e aí eles
começaram a soprar levemente de Sudoeste (45 graus lateral).
As vezes a biruta ficava de ré, por conta dos ciclos
térmicos. Por volta de meio dia, as térmicas começaram
a formar, e o vento provocado por térmicas começou a
soprar, chegando a ter rajadas de 25 km/h. Durante o
vôo, fiquei sabendo que os ventos chegavam a 30 km/h
na rajada e vem lateral de Sul-Sudoeste.
Este sítio de vôo, Ellenville no Estado de NY, é famoso
na região e pilotos
de asa-delta dezenas de vezes voaram 150+ km de XC,
chagando a 200+ km de vez em quando. No dia do acidente
o cara que voava junto comigo de Exxtacy voou 200 km
acompanhado de outro piloto de Exxtacy.
Eu fui o primeiro a decolar, depois de assistir o ciclo
com cuidado (que
achava estar tudo bem na hora) Tinha alguns pilotos
de asa-delta na rampa.
Estava voando meu Sigma 4 médio e minha selete canoa
"X-rated", numa posição bem sentado normal.
Já estava voando por 30 minutos. Subia pra +-1500 metros
no máximo, saia da térmica pois não queria ir pra trás,
ia com 1/2 acelerador até o próximo
ciclo. E assim estava voando de forma tranquila, sendo
que as térmicas
estavam no máximo a 3.5 m/s, talvez numa média de 2.5
a 3 m/s. Estava
enroscando SEMPRE PRA ESQUERDA, com +- 30-35 graus de
inclinação.
Eu geralmente enrosco térmicas com a mão através do
freio, dou duas "voltas", ainda assim sem
ter ação do velame, com as mãos ficando perto da polia
do batoque. Neste dia estava enroscando geralmente com
o freio de dentro +- na altura dos ombros, dependendo
do que estava rolando e o freio de fora com 10% no máximo.
O QUE ACONTECEU DE ESTRANHO foi que notei que as linhas
de freio estavam
encostando no tirante D, como que o Tirante D estivesse
sem pressão, meio
frouxo. Mesmo sendo isto estranho, estava voando normal,
com nada de
estranho acontecendo, e estava subido muito liso o tempo
todo.
Eu estava voando, quando o piloto da exxtacy finalmente
se aproximou. Decidi deixá-lo passar , com a idéia de
que um piloto de exxtacy muito experiente e ainda local,
deve saber o que está fazendo. Não custava nada aprender
e assistir os as decisões que ele tomaria. Estava então
enroscando pra ESQUERDA subindo a +- 3 m/s, deixei ele
passar e daí o vi pegar um miolo
claramente mais forte do que o que eu estava, a MINHA
DIREITA. Mudei meu
centro de centro um pouco pra direita, quando de repente
começou a
desabar....
Algo extremamente violento e estranho aconteceu . O
lado direito do paraca
ficou sem pressão muito rapidamente, meio que virou
pra trás sozinho, na
forma de um L, então um giro muito rápido aconteceu
me centrifugando, como
uma negativa "pra frente". Ao pilotos que
sabem da manobra SAT tenho um
exemplo: Sabe quando na primeira curva do SAT o paraca
não entra no SAT
estável e entra numa negativa "pra frente"?
Não sei se foi um colapso normal. O piloto de exxtacy
que estava no ar acima
de mim, viu um colapso do lado direito do paraca, mas
ele não sabe quase
nada sobre parapentes. O pessoal que assistia de baixo
disse a famosa
conversa, que "foi negativa até o chão". Garanto
que não foi um colapso
normal que já tive experiências anteriores, e que a
reação do paraca foi um
absurdo de violenta, mais pra um stall do que pra colapso.
Daí, uma série de situações estranhas aconteceram: o
paraca estolou sozinho, pois eu que tinha pouco freio
pra estolar um paraca normalmente. Assumo que a adrenalina
era alta, então a pressão poderia estar normal pra situação.
Eu estava tentando o tempo todo controlar o avanço do
velame, que em seguida de um stall supostamente o avanço
seria muito violento. Mas não se mostraram tanto assim,
menos que eu estava esperando. O velame as vezes voava
"de lado" totalmente aberto, então de repente
tinha uma das pontas da asa no meu colo e a outra no
ar! Eu lembro claramente estar ao menos tentando abrir
colapsos e evitando avanços enormes. FATOS: EM MOMENTO
ALGUM IDENTIFIQUEI NEGATIVAS (grande problema pra maioria
dos pilotos) e EM MOMENTO ALGUM EU USEI O FREIO AO PONTO
DE TER OS FREIOS DEBAIXO DO ASSENTO.
Então foi esta sequência de stalls fechando inteiramente,
realmente algo
muito feio, as vezes dava uns trancos. O paraca re-abriu
várias vezes, mas
entrava novamente em colapso. Foram muitos afinal despenquei
uns 700 metros.
OUTRO FATO: EM MOMENTO ALGUM EU ESTAVA ME PREOCUPANDO
COM JOGO DE CORPO PRA RECUPERAR OS COLLAPSOS E STALLS.
Eu estava procupado em abrir oi paraca com o freio e
não cair no velame. Ao menos o paraca não avançava tanto.
Eu também não me lembro de ter o paraca muito pra trás,
ou com a selete caindo pra trás como num stall comum.
De acordo com o piloto de asa-delta, eu derivei uma
meia milha ( 800 metros)
, do ponto do início da roubada até o local da queda.
Nos momentos finais
estava já no rotor de um morro. Uma árvore provavelmente
diminuiu o impacto demais, e bati com as pernas no chao,
depois joelhos e depois de costas, rolando pro lado
esquerdo.
ALGUNS FATOS:
1) Alguns dizem que tudo começou com o parapente querendo
morder uma térmica muito forte, não conseguindo e entrando
num deep stall ou parachutagem.
2) Próximo ao local de impacto, várias pessoas dizem
ter visto vários dust
devils subindo muita poeira.
3) Alguns pilotos locais locais dizem que o local onde
começou tudo fica
turbulento com ventos sudoeste.
4) O voador de exxtacy que estava no ar comigo disse
que o local específico
não é turbulento com sudoeste.
5) Alguns pilotos acham que a pode er que a térmica
chegou ao ponto de
"thumbling" quando ela chega no topo e fica
com uma forma de cogumelo
criando descendentes e convergências fortes. Eu duvido
pois eu estava a +-
meio caminho da base da nuvem, mas é uma possibilidade.
6) Eu tentei seriamente controlar o avanço, pois estava
com medo de cair no
velame, pois o paraca estava totalmente fechado por
muito tempo e por muitas vezes.
7) NÃO TIVE nenhum avanço pra frente ou pra trás muito
grande.
8) Eu não cai da selete ou inclinei demais pra tras
em momento algum.
9) De acordo com o piloto da extaccy que voava na mesma
termica: ele sentiu
turbulencia forte ( mesmo com uma asa que é extremamente
estável) e uma
termica subindo bem forte. Ele disse que tudo voltou
ao normal depois de 30
minutos
10) NAO JOGUEI O RESERVA, não sei porque. Lembro de
ter pensado nele e
preocupado em cair no rotor e ser arrastado. Achei o
tempo todo que ia
voltar ao normal.
Umas perguntas pra tentar ajudar a explicar a roubada:
1) Voce têm alguam ideia do que pode Ter acontecido?
(mesmo sabendo que não assitiu nada...)
2) Seria um paraca 1-2 standard MUITO mais manso que
o meu dhv 2 performance numa situação de descontrole
total? Um paraca 1-2 seria manso pra turbulência do
tipo "eu vou negativar agora"?
3) É o rotor ou turbulencia forte algo que não é possivel
de controlar?
4) Excesso de "pilot input" é algo que vale
pra qualquer parapente ou mais
um problema de paracas performance?
5) Talvez comparando esta situação com a sua própria
ou a de um amigo,
respostas podem aparecer.
6) Negativas são algo que a maioria dos pilotos ainda
não sabem como
comportar não é? Então podemos abrir uma pequena discussão
a respeito
É isso aí galera, quase morri mas tô vivo, com 3 vértebras
levemente
amassadas, mas já andando. Com muitas dores mas andando.
Tô vivo! Em um mês no ar se Deus quiser...
Leonardo "Kabong" Silveira
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