| Mike
Barber(compilado por Romeu)
entrevista
em vídeo
7-12-2007
MIKE BARBER
TÓPICOS DA PALESTRA SOBRE VÔO DE LONGA DISTÂNCIA
A Preparação é fundamental.
O vôo de longa distância é um jogo em que
apostamos com a condição.
Às vezes o objetivo diverge do melhor trajeto, deve-se
avaliar se o melhor é seguir para o objetivo ou voar
na direção da melhor condição.
Encontraremos mais facilidades em sítio de vôo
conhecido.
Escolher o dia certo e não voar na véspera ou
no dia seguinte. Em cada 3 dias escolher 1 dia para voar.
Procurar trajetos retilíneos com alta pressão
atmosférica.
Acreditar no dia em que você escolheu.
Avaliar o primeiro terço do vôo, se deve continuar
ou pousar para se poupar para o próximo dia.
O resgate é muito importante, ele deve ter poder de
decisão e ajudar na avaliação. Deve estar
munido de GPS e rádio com uma boa antena.
A comunicação é fundamental em vôos
de XC.
Água e barrinhas de cereais com acesso durante o vôo,
analgésico preso na barra.
Tomar um antiinflamatório antes, durante e depois do
vôo.
Estudar mapas detalhadamente.
Estudar a quilometragem das estradas e seus pontos de referência.
Avaliar se o melhor é pousar perto da estrada ou voar
mais alguns poucos quilômetros.
Um rádio com GPS para facilitar o resgate.
O XC Ceará apresenta condições parecidas
com as condições de deserto.
Usar pelos menos duas operadoras de celular.
Voar é maravilhoso, porém a estrutura que envolve
o vôo deve ser lembrada nos mínimos detalhes.
Manter-se com raciocínio racional, evitar alegria em
situações oportunas e tristeza em situações
desconfortantes.
Em roubadas no deserto ou em regiões desérticas
andar a noite.
Para evitar decisões erradas, não tenha medo
de tomar decisões, tiradas ou pousos.
Evitar a busca da térmica perfeita.
Largar a térmica maravilhosa na hora certa e partir
para o Cross.
O Ideal e ter várias opções de pousos.
Pensar no futuro, nas próximas decisões.
Se estiver com muita indecisão, pode abrir o cinto
e pousar ou acreditar na condição e partir para
o Cross.
Tenha confiança na próxima térmica, se
o ‘zero a zero’ perdurar partir para o Cross.
Nas tiradas mais longas usar ¾ do VG.
As regulagens para Cross devem ser diferentes das regulagens
para campeonatos.
Devem-se avaliar os itens proporcionalmente: razão
de subida x vento x altura de tirada x desempenho das últimas
térmicas.
Usar o McFly.
Quando estiver alto você avalia o vôo, quando
estiver baixo (300m) usar o McCready.
Polar....... ?
Durante a palestra o Mike comentou:
"evite ficar baixo em uma situação onde
você tenha apenas um gatilho térmico e um pouso
como opção.
Seria como colocar todas as fichas
em uma aposta - all in one. Esta estratégia é
muito perigosa, porque pode colocar todo o seu vôo a
perder."
Vôo livre de longa distancia
é algo que se constrói térmica a térmica,
quilometro a quilometro e por isso não podemos ser
irresponsáveis em botar tudo a perder.
Quando você esta alto, voe McCready
(mais rápido e parando somente nas fortes).
Quando você esta baixo, voe em
"Speeds to Fly", ou seja, esta subindo reduza velocidade
para se manter na massa o maior tempo possível. se
esta afundando, pica pra sair da massa porcaria. E tente voar
no best glide para ficar no ar o maior tempo possível
e conseguir achar a "salvadora".
E o Fabinho Nunes (e eu concordo),
diz que se esta muito baixo e tem pouso abaixo, coloque contra
o vento, pois aumentam as chances de você "bater"
em uma termal.
Complementos:
- beba muita água
- - urine em vôo
- - relaxe em vôo e regule a asa para ficar macia. Melhor
maciez do que performance.
Dica do Mike para enroscar sem se cansar:
- puxe a marcha ate ela ficar com uns 3/4 ou ate o limite
da instabilidade- rotacione seu casulo, colocando o rosto
perto da barra lateral e os pés para o lado oposto
deixando você na diagonal em relação a
direção do vôo- pique a asa para ela voar
mais rápida (naturalmente ocorre isso por causa da
marcha caçada). - devido à rotação
do seu corpo, uma mão ficara no centro do speedbar
e a outro rente à barra lateral próxima ao seu
rosto. - enrosque para o lado onde seu rosto está apontando
e perceba que o comando e correções ficam leves
e principalmente passa a ser feito pela mão que está
no centro do speedbar.
Exemplo:
-Para enroscar para a esquerda (anti-horario),
puxe a marcha uns 2/3 ou ¾ -coloque seu rosto pra esquerda
e seus pés pra direita, - sua mão esquerda colada
no speed próximo da barra lateral esquerda- sua mão
direita no centro do speedbar ou um pouquinho pra direita
do centro- capote seu cinto para ficar com a cabeça
bem baixa e apontada para o centro da curva (esquerda) - bom
vôo
Observação: fiz o teste
na minha asa (WW T2) e funciona muito bem. Usei quase a marcha
toda. A velocidade de vôo na enroscada neste método
subiu de 42km/h para 62km/h. Ficou bem liso e subia bem rápido
também e sem cansar.
Vantagem também nas transições,
pois a marcha já esta caçada e não precisa
se cansar puxando-a.
... você está correto quando definiu a idéia
do Mike como o "limite da instabilidade". O que
ele quer é colocar a asa numa situação
em que ela se mantém com tendência neutra quando
inclinada numa térmica. Ou seja, ela não tenderia
nem a voltar para o vôo reto nivelado, nem a aumentar
a inclinação até o limite de capotar
lateralmente. Ele chamou isso de "spiral instability"
ou "instabilidade em espiral". Com isso o piloto
não precisa fazer força enquanto enrosca.
Só para complementar, ele usa
essa regulagem de VG em térmicas aliada àquela
posição na barra que ele chama de "high-siding".
É meio complicado de descrever em palavras, o Mike
durante a palestra tentou demonstrar ali em pé, mas
o ideal é mostrar com uma barra de controle, de preferência
pendurado num cinto.
Basicamente nós aprendemos na escolinha a controlar
a direção da asa com os pés e não
com a cabeça. O Mike ensina a ENTRAR na curva com os
pés, mas logo que você determinar o ângulo
de inclinação desejado você INVERTE a
posição jogando os pés para FORA e a
cabeça para dentro praticamente encostando a cabeça
no canto da barra (tipo colada no Vario).
O peso da cabeça e do peitoral mantêm a asa querendo
inclinar para dentro e os pés agora estão fazendo
o esforço CONTRÁRIO, tentando tirar a asa da
inclinação de curva. Por isso se chama "HIGH-SIDING"
porquê os pés e o seu CG estão acima da
sua cabeça, do "LADO-ALTO" do triângulo
das barras de controle.
Com isso você consegue manter a asa centralizada na
térmica com um mínimo de esforço pois
essa posição permite que você relaxe completamente
os braços, com a posição que ele demonstrou
na palestra. A única coisa que mexe são os pés
e se a asa estiver na regulagem correta de VG esse esforço
é mínimo.
Quando ele voou comigo em Andradas,
ele "estacionou" a asa do meu lado na térmica
e pelo radio foi me ensinando a posição exata.
Abaixa mais a cabeça, sobe mais o pé, empurra
mais a barra, caça um pouquinho mais o VG, inclina
mais a asa pra dentro, etc. Quando a coisa toda encaixava
a razão de subida aumentava, a asa não saía
do miolo da térmica eu descansava mais, enfim, fazia
muita diferença.
Essa técnica permite termalizar
com muito mais eficiência. Eu já consegui me
manter mais ganhado do que voadores mais experientes usando
essa técnica. Só que eu sou meio preguiçoso
e um pouco distraído e, às vezes, fico contemplando
o vôo em vez de voar da forma mais eficiente. Numa competição
ou vôo de distância o nível de intensidade
é muito maior, tem que voar desse jeito o tempo todo!
Quanto aos testes que você fez,
só achei que essa sua velocidade de 62Km/h está
muito alta para enroscar, assim você desperdiça
muito da ascendente, com a ressalva que, se estiver muito
turbulento, é melhor enroscar mais rápido mesmo.
------------------------
O Mike não citou o quanto de
marcha, pois cada fabricante e cada modelo tem diferenças.
O que ele citou foi colocar a asa no
limite da instabilidade. A minha ficou neste limite a 62km/h
com 3/4 u 2/3 da marcha.
mais sobre Mike Barber no site Vills
Brothers
Romeu piloto de asa e parapente
topo |