Voando
com ciência. Voando com consciência.
A figura 86 nos mostra o parapente encontrando uma turbulência
provocada pela térmica, e essa turbulência consiste num
redemoinho que provoca
movimentos no ar de cima para baixo. Quando esse ar, que vem
de cima,
encontra a asa do parapente o seu ângulo de ataque diminui,
ou então pode
até chegar a ficar negativo, dependendo da intensidade
do movimento desse
ar. Na figura isso ocorre na asa da direita do parapente.
No momento em que
esta "bufa" de cima para baixo atinge a asa do parapente
o piloto sente o
lado direito da sua selete perder a firmeza que sutentava
o seu corpo, é
como se a selete afrouxasse repentinamente no lado direito.
Além disso, o
piloto também sentirá uma repentina perda de
pressão no freio direito - para
isso é fundamental que ele esteja cosntante e ligeiramente
atuado.
Nesse momento entra em cena a pilotagem ativa.
No momento exato em que o piloto sentir essa diminuição
da pressão no
lado direito do parapente cabe uma reação do
piloto. Essa reação consiste em
aplicar o freio direito até um ponto em que o piloto
sinta a mesma pressão,
a mesma resistência que esse freio exercia antes do
momento da turbulência,
e atingido este ponto - que pode ser com 20, 30, 50, 80% do
curso total do
freio - o freio deve retornar a subir sempre que a resistência
sentida subir
além da original. Pressão original é
aquela resistência oferecida pelos
freios quando puxamos um pouquinho os freios num vôo
sem turbulência.
Então o nosso papel, enquanto pilotos, é mantermos
constante esta
pequena força de tração nos freios, buscando
a constância dessa pressão,
ainda que a mão tenha que descer e subir num curso
amplo que pode ir da
altura das nossas cabeças até a altura do nosso
quadril.
O cuidado que devemos ter enquanto realizamos o alegre espetáculo
malabarístico, é de não continuar com
os freios excessivamente aplicados
quando a pressão aumentar, isso resultaria num estol.
O papel do corpo na pilotagem ativa é, ironicamente,
passivo. Isso
significa que quanto mais relaxado o corpo estiver, melhor
será a
compensação da perda de pressão sentida
por nós na selete.
No caso ilustrado pela figura 86, o lado direito da selete
afrouxaria,
tombaríamos para a direita. Muitas vezes temos a tendência
de impedir esse
tombamento, aliás, esta é uma atitude natural,
ou seja, tendemos a nos
apoiar onde sentimos firmeza, e o lado firme é o esquerdo.
Agindo assim
prejudicamos ainda mais a deficiência aerodinâmica
percebida pelo parapente.
Vejamos o porquê:
A figura 87 repete a situação exposta pela figura
86, porém acrescenta
duas novas observações ao caso.
A primeira observação é que está
exibida a incidência do vento relativo
nas asas esquerda e direita, e que, portanto notamos a diferença
existente
entre os ângulos de ataque das asas esquerda e direita.
A asa da direita
teve o seu ângulo de ataque muito reduzido, a figura
mosta inclusive um
ângulo negativo. A segunda observação
é que com este ângulo não há uma
sustetação sendo gerada pelo perfil, como gostaríamos,
a sustetação no caso é negativa, as linhas do lado direito estão
frouxas e se nada mudar, o
calapso assimétrico é certo.
Então, além de aplicarmos o freio direito nessa
situação, como já vimos,
devemos deixar o corpo tombar para a direita o tanto quanto
possíviel a fim
de restabelecermos um ângulo positivo. É importante
que esse tombamento
também seja rápido. O movimento de tombar o
corpo para a direita traciona as
linhas do lado direito, que tiveram a sua tração
reduzida ou anulada devido à falta de sustentação, então
esse tombamento rápido é fundamental para
compensar uma diminuição brusca do ângulo
de ataque - o movimento de
tracionar as linhas do lado direito gera um ângulo de
ataque positivo no
momento desse movimento, desse tombamento, o que tenderá
a compensar a perda
do ângulo de ataque provocado pela turbulância.
Se o movimento de tombar for
mais rápido que a velocidade de queda do ar que golpeou
o parapente, o
colapso será evitado. Se esse movimento for mais lento
do que essa bufada do
ar de cima para baixo, o colapso é praticamente certo,
e então uma correção
instantânea de pressão no freio direito pode
amenizar e, dependendo do caso
até impedir o colapso.
Concluímos então que a tira vental da selete
(aquela que une um lado da
selete ao outro) deve estar o mais frouxa possível
a fim de possibloitar um
grande tombamento do corpo no caso de uma perda de pressão,
isso é
essencial. Ou seja, o uso de cruzilhões, ou então
a tira ventral apertada,
ainda que possam nos transmitir uma sensação
de segurança, são extremamente
prejudiciais à compensação de pressão
que o tombamento do corpo nos
proporciona na turbulência.
Então, a pilotagem ativa requer um sincronismo de corpo
e freio com os
movimentos da turbulência do ar e as consequentes mudanças
aerodinâmicas na
asa do parapente.
Tudo isso que foi dito aqui ocorre numa fração
de segundo, portanto é
importante que, dentro do possível, a pilotagem ativa
acompanhe a velocidade
dos acontecimentos que a turbulência do ar impõe,
e isso não é fácil de ser
executado, acima de tudo, de ser executado com a devida sensibilidade
e
consequente precisão que a situação exige.
Kurt W. Stoeterau
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