| Decolando
| Saber
decolar é a capacidade adquirida por aprendizagem
que nos permite inflar, controlar a asa e sair a voar
em condições variadas, com um máximo
de êxito.
Atingir esta capacidade
é o objetivo do trabalho que a seguir se descreve
e não apenas saber decolar com certas condições.
A decolagem envolve a integração de várias
destrezas; um conjunto de variáveis: piloto,
asa, terreno, condições de voo. Só
uma aprendizagem sólida permitirá lidar
com sucesso com grande variedade de situações. |
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Se bem que para atividades individuais, o
método global tem geralmente maior rendimento para
os principiantes; considerando que a aprendizagem do controle
cruzado da asa, pelos manobradores é uma destreza de
grande exigência de coordenação motora,
na maioria os casos geradora de patamares demasiado longos
e por isso desmotivadores; que no método analítico
esses mesmos patamares aparecem no momento em que se associam
as diversas partes; proponho-me a utilizar o método
global-analítico-global e para isso, dividi o inflado
em cinco fases bem distintas que serão trabalhadas
ora no seu conjunto, ora separadamente.
O Inflado de costas cruzado
Breves noções teóricas
e preparação de material
Pré inflado
O levantar a asa até que esteja a voar
A manipulação fina e controlo da asa
A corrida e decolagem
Primeira fase: Preparação do
material
Serão abordados os seguintes tópicos:
Breves noções de aerodinâmica,
(porque e como voam as asas).
Avaliação da velocidade e direção
do vento (em térmica, a direção dominante).
A nomenclatura da asa de parapente.
Colocação da asa no chão o que implica
a escolha do melhor local (longe de rotores e o local mais
limpo possível)
Abertura da asa perpendicularmente ao vento e extensão
dos suspensores (tendo o cuidado, sobretudo se estiver vento
forte, de o mais cedo possível, colocar os tirantes
sobre o bordo de fuga, para que o vento entre o menos possível,
por baixo da asa). É importantíssimo puxar os
freios, para que os suspensores se soltem mais facilmente
e se dê à asa a forma de ferradura.
- Revisão do material:
Todos os pilotos de parapente deverão
fazer uma inspeção do material regularmente,
sobretudo depois de voos longos ou de viagens e verificar
se:
- há algum problema nas bandas do arnês
ou dos suspensores
- há algum nó ou dano nos freios ou pés
de galinhas do freio
- estão os manobradores nos fixadores sem estarem torcidos
- há danos nos suspensores
- há danos nos ilhós da asa
- há porosidade ou dano no tecido
Esta inspeção vai permitir separar
e preparar todos os cabos suspensores, banda por banda, não
esquecendo de separar os freios.
Prisão das bandas aos mosquetões
da cadeira (tendo em atenção a que as bandas
estejam correctamente postas. Uma maneira de controlar a colocação
correcta das bandas é pegar na cadeira, pelo entre-pernas,
tendo as bandas "A" de ficar em cima)
Colocação o capacete.
Colocação da cadeira, o que
implica criar o hábito de apertar primeiro o entre-pernas,
depois o ventral e por fim os cruzados ou a triangulação,
se os houver.
É importante desenvolver e intensificar
um ritual para apertar a cadeira: pernas, ventral, cruzados
e verificar novamente o que se acabou de fazer.
Regular a cadeira é fundamental no
comportamento da asa, fechada ela perde maneabilidade em proveito
de uma maior estabilidade. Aberta pode tornar instável
a asa mais segura. É preciso escolher a cadeira em
função do nível de experiência
que se tem, do mais seguro (pontos de fixação
altos e cruzados) ao de maior rendimento (pontos baixos).
E regulá-la em função das condições:
há turbulência? - Posição sentado,
cintas bem cerradas nos ombros, rins e ventral para fazer
corpo com a asa e limitar os desequilíbrios. No que
respeita ao ventral deve ser respeitada a norma proposta pelo
construtor para cada asa.
Demonstração do inflado cruzado,
na sua forma global
Demonstrar
Na aprendizagem motora complexa, a imagem
visual é fundamental, por isso se recorre à
demonstração dessa habilidade.
Na demonstração, devem salientar-se os pontos
mais importantes mas por forma a dar a possibilidade de ver
o maior número possível de pormenores. O ritmo
da demonstração deve ser mais lento do que o
ritmo da prática real.
Segunda fase: Pré-inflado
A primeira destreza motora a ser trabalhada
é o pré-inflado e por isso deveremos, uma vez
mais, demonstrar o que pretendemos:
Escolher um lado de rotação,
pegar em todas as bandas do lado contrário à
rotação e passá-las por cima da cabeça
ficando voltado para a asa.
- Centrar-se bem em relação
ao vento e à asa.
Efectuar um pré-inflado permitindo
que a asa assuma naturalmente a direcção e a
colocação correcta.
Aproximar-se um pouco da asa e puxar novamente
os freios para que a asa comece a voar pelo centro (forma
de ferradura).
A rotação e o pré-inflado
deverão ser trabalhados separadamente, mas sempre que
possível integrados na fase seguinte.
Terceira fase: Inflado
Pensar no que vai fazer antes de agir, ser
preciso e calmo. A acção sobre os comandos deve
ser suave antecipando sempre a tendência do movimento
da asa.
Levantar a asa do chão acompanhando
as bandas para cima, ao mesmo tempo que se recua um ou dois
passos. Isto vai facilitar o inflado da asa. A tracção
deverá ser bem simétrica, partindo já
com os cabos bem esticados.
Permitir a asa voar. O momento de travar a
asa depende da força do vento. Com vento fraco o uso
prematuro do freio leva geralmente ao insucesso, porque não
deixa a asa chegar a cima da sua cabeça e começar
a voar. Se está vento mais forte e a asa sobe muito
rápido, é necessário ter em conta a inércia,
antecipando um pouco o freio. Seja como for, a asa tem de
ficar a voar.
Quarta Fase: Controlo da asa inflada
Colocarmo-nos debaixo da asa. Se o vento for
fraco ou não estivermos bem centrados, a asa poderá
não subir simetricamente. É necessário
sentir o mais cedo possível essa assimetria e compensá-la,
mantendo-a, sempre com pressão, andando muito para
trás e um pouco para o lado para o qual a asa cai (simulando,
assim, a força da gravidade), fazendo atuar o comando
da mão do mesmo lado apenas até ao mais pequeno
sintoma de eficácia, pois só assim os freios
não atuarão demasiado. Quando voamos o peso
e a força da gravidade, naturalmente, assim nos colocam.
É necessário antecipar o comportamento
da asa para a poder corrigir em tempo útil. No futuro
valorizaremos isto.
Temporizar sempre que o vento for suficientemente
forte - é um excelente hábito ficar um pouco
parado a controlar a asa, isto vai dar precisão e confiança.
Façamo-lo sempre que pudermos.
Quinta fase: Rotação, corrida
e decolagem
Rodar mantendo a asa com pressão. Escolher
o tempo certo e o pé correcto é muito importante,
ao caminhar para atrás e rodar, é o pé
da frente que deverá atacar o chão para continuar
a marcha (vento mais forte) ou a corrida (vento mais fraco).
No momento da rotação, em geral,
deve-se travar a asa e manter-lhe a carga baixando o tronco
(nariz para baixo).
Acelerar: quando decidimos decolar, deixamos
acelerar a asa e o passo progressivamente. Não se deve
forçar a asa, deve-se aumentar a velocidade até
descolar com um ligeiro toque de freio (pode ir até
à posição de velocidade mínima)
- a percentagem de freio depende da velocidade do vento. Uma
vez travada a asa não se deve largar o freio de imediato,
pois daí advém uma picada e normalmente, se
a inclinação do terreno não for grande,
um toque no chão que poderá abortar o voo, por
isso não se sentar na cadeira sem estar com os pés
no ar e suficientemente afastados do relevo.
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