Decolando...

XCXCountry... XC... Cross Country... Vôo de Distãncia... não importa o nome e sim o desafio que este tipo de vôo representa.

 


Por Júnior CB

XCountry... XC... Cross Country... Vôo de Distãncia... não importa o nome e sim o desafio que este tipo de vôo representa.
A essência do XC (vamos usar este nome para simplificar) é conseguir utilizar um dia de vôo para colocar o máximo de distãncia possível entre o seu local de decolagem e o pouso.
Inicialmente um piloto de parapente se preocupa sempre em encontrar uma térmica. Depois, em encontrar a segunda térmica. Depois, em construir uma estrada para algum lugar com as térmicas que ele encontra. Mas o verdadeiro XC vem a partir do próximo passo: encontrar as térmicas necessárias para construir uma estrada para onde se planeja ir. É a partir deste passo que os pilotos começam a ver que a coisa é um pouco mais complicada.
Bom, vamos tentar levantar alguns pontos que podem nos fazer refletir juntos sobre formas de tornar esta etapa da evolução do vôo um pouco menos complexa.

PARTE 1 - Planejando uma Rota

Como sempre digo, é importante chegar cedo na rampa e já ter na cabeça as possibilidades esperadas para o dia de acordo com a leitura da previsão do tempo.
Não esquecer que um vôo de distância deve ser enquadrado dentro do dia térmico ativo. Então, precisamos conseguir identificar o melhor ponto de partida para o dia (o mais cedo possível) e ter em mente o total de horas térmicas que teremos pela frente. Com base no horário possível de início do vôo e o total de horas térmicas disponíveis, o piloto deve planejar sua rota com um pensamento de uma rota com distância total igual ao total de horas multiplicado pela velocidade média padrão que o piloto tem em seu histórico.
Exemplo: Se o piloto calcula 5 horas térmicas pela frente e tem uma média de 22km/h voado em distância, ele deve imaginar uma rota com 110km como base e esticá-la potencialmente até o resultado da conta elevando a velocidade média de acordo com o vento do dia (intensidade, alinhamento e desvios na rota). Neste caso, pensemos em elevar a velocidade média para 30km/h e teremos uma rota com 150km.
Observe que não estamos falando de uma distãncia fantástica, mas estamos falando de um vôo muito bom em termos de XC para qualquer região do país.
Outro fator importante a ter em mente é que, quando você define uma rota você está estabelecendo um desafio, uma meta para o seu dia de vôo. Não encare, no início, este desafio ou meta como um carrasco, mas como um elemento para motivar a sua evolução.
A cada vez que você se exercitar num XC com técnicas e procedimentos, você começa a identificar variáveis que fazem diferença em seus resultados e que podem ser melhoradas individualmente com um pouco mais de esforço. A velocidade média voada é um sério limitador e, como fica claro em nossos cálculos, deve ser seriamente trabalhada a cada vôo para que sua rota possa ser alongada.
Reagrupando as idéias: Ver a previsão do tempo em dias anteriores aos de vôo; Chegar cedo na rampa; Planejar a direção da rota com base no vento e desvios necessários; Planejar a distãncia da rota com base nas horas térmicas pela frente multiplicadas pela sua velocidade média histórica.
Não preciso dizer que o piloto que se interessa pelo XC precisa de um bom vário e de um GPS, pois XC envolve navegação e registro do vôo. Para um iniciante, qualquer GPS vai servir para o serviço.
Um vício que muitos pilotos têm é o de chegar à rampa, olhar a condição, imaginar uma rota mas não se comprometer com ela de verdade. ERRO SÉRIO.
Minha recomendação é que o piloto chegue à rampa com um bom plano e, com uma boa observação in loco, faça o ajuste fino de seu plano e prepare tudo para voar comprometido com este plano.
Uma dica importante para complementar o processo de planejamento da rota é que os pilotos ainda iniciantes priorizem rotas com bom suporte de estradas e pousos. Vocês podem achar que não, mas no início, o nível de stress do piloto aumenta muito quando ele começa a ficar baixo em local com poucas ou raras estradas e poucas áreas adequadas para pousos seguros. Acreditem em mim. Isto eleva o nível de stress do piloto a ponto de dificultar a concentração na localização de térmicas e avaliação da condição na rota planejada. E também prejudica o fator paciência, que é imprescindível para situações em que se precisa batalhar zerinhos enquanto o ciclo vira.
Com o passar do tempo e a aquisição de experiência com pousos em locais novos e mais técnicos, o piloto vai conseguir expandir seus horizontes, podendo escolher rotas cada vez menos limitadas.

Exercitem esta característica de planejamento e com certeza alguns problemas iniciais dos seus XC vão começar a sair do seu caminho, ou de sua rota se preferir.

No próximo tópido: Decolando e Tirando para a Rota.

Bons vôos a todos,

Júnior CB | XCb - XCountry Techs

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