XCountry – Vou por ai...

 


Por Júnior CB


XCountry – Vou por ai.
Por Júnior CB


Estamos em plena temporada e agora, pelo menos do sudeste para cima, vai rolar muito voozão. Tô sentindo que teremos marcas históricas nos principais points de vôo do país e até mesmo lugares ainda pouco explorados devem propiciar altos vôos de distância.
Pois é, esta é mais uma daqueles fases em que você fica ultra ansioso para chegar o final de semana, o feriado, a folga, o dia do nó... Tudo bem. Eu também fico assim. O que não pode acontecer é toda esta empolgação ser levada pelo vento e cair por terra por causa de escolhas incertas.
Nesta época do ano, vários fatores críticos para o sucesso de um vôo de distância estão operando conjuntamente de maneira favorável: Gradiente Térmico, Teto Operacional e Vento. Apesar de o dia estar ainda um pouco mais curto que durante o restante do ano e a umidade estar reduzida, certamente temos um perfil muito mais favorável ao XC nesta época do ano.
Bom, vamos então decolar para mais uma aventura em busca de novas possibilidades para a temporada 2007 de vôos longos.
Primeiramente, vale lembrar que o melhor lugar do mundo para você experimentar novas técnicas e buscar conscientemente evoluir o seu vôo é o seu próprio site de vôo. Na alta temporada de vôo em cada site, não importa onde, as condições climáticas se somam de maneira extremamente favorável para se ir cada dia mais longe.
Comece lembrando que, quanto mais horas de vôo você puder produzir, mais longe você poderá ir. Então, comece a experimentar qual o horário mais cedo que você consegue decolar. Isto mesmo. Quem define a hora certa para a decolagem não é o relógio nem, em muitos casos, o histórico da turma local. Vá em frente. Chegue cedo na rampa, avalie os primeiros ciclos e mande bala. Óbvio que o teto ainda estará baixo, os ciclos irregulares e a margem de erro aumenta. Fica no limite. E daí? O aprendizado é resultado daquilo que você faz e não daquilo que você pensa.
Então, a dica mais comum é que cada piloto tente montar seu programa de evolução e vá para a rampa em busca do novo e não do arroz com feijão de cada dia. Nesta época de alta temporada estão sobrando opções bem mais variadas no cardápio de vôos.
Tenha sempre um motorista que conheça bem as estradas na região por onde se pretende voar, complete sempre o tanque do carro, rádio com carga total, rádio base com boa potência, mochila de hidratação com água e algum isotônico ou até mesmo malto (sim, reposição de carboidratos ajuda bastante na manutenção da concentração e retardo do desgaste físico e mental), barras energéticas em bolso de fácil acesso, protetor solar, um bom par de óculos e uma boa noite de sono na noite anterior.
Tenha o mapa sempre bem estudado, planeje as transições mais complexas para não perder tempo ou hesitar durante tomadas de decisões que possam comprometer o rendimento do vôo e trace rotas encontradas com o vento pensando lá na frente e não só no início do vôo. Um erro comum que vejo em muito piloto é a busca por facilidades no início do vôo e a falta de uma estratégia para lidar com as dificuldades do caminho lá na frente.


Analisar bem o vento, lembrando de tendências de giro do mesmo na rota, avaliar áreas com falta de suporte de estradas, identificar regiões de cordilheiras ou montanhas com restrições de acesso e/ou pouso e também pontos de passagem por rios ou outros obstáculos que possam interromper o contato com o resgate é uma atividade básica a ser executada por todo piloto antes de partir para um XC mais sério.
Hoje, com o GoogleEarth, é muito fácil se abrir um arquivo de waypoints, plotar uma rota e observar o que se encontrará lá na frente. Então, não tem desculpa para se dizer que deixou de ir mais longe por não conhecer a rota etc.
Eu mesmo, dediquei umas 3 noites ao trabalho de traçar o que acho ser a melhor rota para se atravessar a Belém-Brasília saindo da rampa do Vale do Paranã com vento SE. Com suporte de mapas rodoviários de GO, do GoogleEarth e histórico de posição do vento durante o dia inteiro, foi possível se avaliar pernas favoráveis, desfavoráveis, estipular tempo para travessias, definir metas para cada faixa de horário do dia e também definir situações nas quais algumas opções alternativas deveriam ser adotadas.
É, eu sei que dá trabalho. Mas quem pensa que um bom XC é questão de sorte ou tentativa e erro... vai chutar e errar muito ainda.
Como eu sempre digo, um bom XC começa bem antes de se tirar os pés do chão na rampa. É preciso planejar e estar com tudo sempre preparado para se aproveitar o grande dia, que ao contrário do que muitos pensam (até eu mesmo pensava) não dá para prever com tanta precisão assim. É chegar na rampa, respirar, sentir o vento e o calor e pronto. É ou não é o grande dia? Não dá para falar. Na verdade, o grande dia vai sendo construído térmica após térmica e somente após o pouso é que podemos afirmar se era ou não o grande dia.
Eu tenho reparado que, em muitos dias, meus bons vôos são mais resultado de minha energia em alta do que uma condição impecável. Óbvio que alguns dias são realmente medíocres, mas na maioria das vezes, a condição é sempre muito superior ao que produzimos no dia. É esta minha certeza que me faz chegar na rampa com muita confiança e partir para cada XC como se todo dia fosse o dia perfeito.
Nesta temporada, certamente vou aproveitar cada dia ao máximo. Nesta temporada, eu vou por ai!

Bons e longos vôos a todos!!!

Júnior CB – Brasília/DF
SOL Sports – Eu vôo assim!
XCountry is about choices and time. Be fast!

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