Race ou XCountry
Voar longe ou chegar primeiro?
Por Júnior
CB
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Race ou XCountry – Voar longe ou chegar primeiro?
Por Júnior CB
Você prefere fazer um XCountry ou completar um percurso
mais rápido do que qualquer outro piloto? Te dá
prazer voar longe, cruzar cidades, desvendar novos horizontes,
lidar com imprevistos, encarar roubadas ou ser rápido
e preciso? Qual é o seu tipo: Race ou XCountry?
Um vôo Race, que conhecemos como competição
com circuito definido, exige do piloto uma capacidade de articulação
e de planejamento que enfatiza a variável tempo e que
inclui nos seus fatores de decisão a atitude de outros
pilotos na ponta e na ‘cola’. É importante
observar também que o ciclo de vida de um vôo
Race, normalmente, é curto.
Quando digo ênfase na variável tempo, quero dizer
que o piloto de Race tem que voar rápido pelos caminhos
da análise, decisão e velocidade. E quando digo
inclusão da atitude de outros pilotos na ponta, quero
dizer que a dinâmica de um vôo Race é constantemente
afetada pela relação entre a sua posição
e a de outros pilotos voando no mesmo grupo ou à frente.
Ou seja, um vôo Race implica, intrisecamente, vôo
em grupo. Então, um piloto de Race deve saber usar
outros pilotos, deve saber se livrar destes e deve saber recuperar
terreno em relação a estes. O que significa
que estas habilidades devem ser trabalhadas a cada vôo
e que a participação em campeonatos para análise
de como os TOP fazem este trabalho e como o seu desenvolvimento
está, são imprescindíveis.
Um ponto muito importante num vôo Race e que não
podemos deixar passar despercebido, é o tipo de preparo
físico e psicológico para tal. Em provas que
atualmente têm uma quilometragem por volta de 70km e
com duração de 1,5h a 2,5h, é fácil
imaginar que o piloto tem que ter preparo para explosões
e alteração de atitudes muito rápidas.
Tem que ter capacidade de avaliar erros e recuperar terreno
sempre jogando um grau de risco estratégico muito grande.
E mais, às vezes tem que abrir mão da luta pela
vitória para garantir a conclusão da prova e
poder jogar com os resultados dos demais dias.
Já um vôo de XCountry, ou simplesmente XC, tem
uma outra dinâmica e outros princípios mais críticos
do que ser rápido e usar outros pilotos. O vôo
de XCountry, muitas vezes, é um jogo de paciência
e de relacionamento com a condição. É
uma viagem solitária e contemplativa. É um duelo
entre suas teorias e seus sentimentos numa longa caminhada
rumo a algum lugar o mais distante possível.
Um piloto de XC deve analisar as condições de
maneira mais integrada e com uma perspectiva muito mais distante.
Basta imaginar que num vôo Race é possível
se voar todo o circuito dentro de um raio de 30km da rampa
de decolagem e num vôo de XC estes mesmos 30km são
só o início de um bom vôo. Digamos que
estes 30km, inclusive, consumiriam a primeira 1h de vôo
e que este tempo seria praticamente todo utilizado para se
entender a condição do dia, sentir na prática
como está a evolução e o perfil de vôo
favorável.
Um outro ponto que diferencia muito também o XC do
Race é a questão do planejamento. Um vôo
de longa distância exige um planejamento mais estruturado
e focalizado em variáveis das mais diversas. Desde
a escolha de um dia propício, o que só é
possível observando as tendências climáticas,
até a escolha da rota, que demanda um casamento da
análise de tendência com a análise pontual
do dia escolhido. É aí que começam a
ser filtrados os pilotos de longas distâncias dos pilotos
de sorte.
O preparo físico e psicológico de um piloto
de XC também diverge bastante do necessário
para um piloto de Race. Num vôo longo, um piloto de
reações mais estáveis e de atitudes mais
conservadoras, pode colher uma centena de km a mais que um
piloto explosivo e agressivo, que arriscaria tudo por falta
de paciência e de visão de longo prazo, digo
longa distância.
Ter paciência, saber navegar de forma produtiva geográfica
e meteorológicamente, saber jogar com o tempo (e não
com o adversário), saber que a velocidade máxima
de vôo é ditada pela condição e
que é preciso muita experiência para adiantar
um ciclo, saber que a variável mais importante é
a distancia e não o tempo (sem esquecer que mais rápido
pode significar mais distante), saber controlar o stress e
a ansiedade a baixa altura e, acima de tudo, saber entender
a condição a cada hora de vôo e se adaptar
sempre que necessário.
Pois bem, você se considera arrojado ou conservador?
Prefere arriscar tudo ou aguardar um melhor momento? Qual
é o seu perfil?
Você não precisa ter, naturalmente, um perfil
para Race ou XC. O mais importante é saber qual o melhor
a exercer para cada tipo de vôo. Um bom piloto saber
ser agressivo e conservador, sabe analisar e sabe apostar,
sabe correr e sabe boiar. Este é o ponto. Desenvolva
a capacidade que mais lhe faltar e certamente você colherá
frutos de ambas as árvores; da velocidade e da distância.
Bons vôos a todos.
Júnior CB – Brasília/DF
SOL Sports – Eu vôo assim!
XCountry is about choices and time. Be fast!
Be happy. That´s what matter!
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