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XC – O seu programa de milhagem
Por Júnior
CB
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XC – O seu programa de milhagem
Por Júnior CB
Voar, voar, voar, voar kms, kms, kms, kms até lá.
O melhor programa que cada vôo pode propiciar. E não
importa muito onde seja este ‘lá’, o importante
é chegar lá. O vôo de XCountry, distância,
é o ponto de excelência do vôo livre. É
o campo de provas que separa o piloto técnico do piloto
de ocasião.
O vôo de distância exige conhecimentos e habilidades
diferenciadas do vôo local ou do vôo de lift.
É preciso conhecer o comportamento de seu equipamento,
principalmente com variadas velocidades, para obter um melhor
planeio; é preciso conhecer um pouquinho de meteorologia,
para ler a condição e saber para onde ela é
favorável e qual a velocidade de desenvolvimento da
mesma; é preciso conhecer navegação,
meteorológica e geográfica, para transformar
toda altura ganha no máximo possível de distância,
sem comprometer a continuidade do vôo e nem a segurança
e tempo de retorno com o resgate; é preciso conhecer
um pouco sobre a dinâmica de formação
de térmicas: gatilhos, pontos negativos, ciclos de
formação e estabilidade e, entre alguns outros
detalhes, é preciso ter uma boa pilotagem ativa, o
que lhe permitirá enfrentar com maior segurança
algumas situações adversas de regiões
de maior instabilidade.
A primeira coisa que sugiro a um piloto que manifesta interesse
no XC, é que ele se torne um amigo mais íntimo
de seu equipamento. É preciso que haja confiança
suficiente no conjunto para que o piloto possa dedicar praticamente
toda a sua atenção na leitura da condição
e na navegação. Então, antes de tudo,
aprenda a sentir tudo o que se passa com seu velame, com as
mãos. Eu faço isto, voando velas de competição
há mais de 6 anos, e garanto que mãos bem treinadas
lhe dizem tudo o que se passa com o velame durante um vôo.
Ainda sobre o relacionamento piloto x equipamento, sugiro
que o piloto descubra as melhores velocidades para situações
de afundamento. Não se esqueça que, para velas
até Performance, quanto mais fundo no speed system,
maior afundamento com aumento relativo da velocidade horizontal.
Este conhecimento, muitas vezes, vai ser a diferença
entre um prego num buraco azul e uma travessia de sucesso
para reencontro com a condição favorável.
Meteorologia... que saco heim? Pois é, tem que buscar
conhecimento neste carinha sim senhor. O que mais dificulta
um bom XC, é a inabilidade de ler a condição
e definir uma rota que utilize melhor o que cada dia específico
pode oferecer. E não adianta falar que vai decolar
e depois decidir para onde ir. O primeiro desafio de um bom
XC é escolher a rota certa, embasado numa boa leitura
da condição do dia, ainda com os pés
na rampa num pequeno briefing com os demais pilotos.
Vale lembrar que não adianta olhar a previsão
do tempo na manhã do dia de vôo. Previsão
meteorológica é mais eficiente quando tratada
como informação de tendência. Afinal,
a atmosfera é consideravelmente volúvel. Pegue
a previsão do tempo, na WEB, na TV, no Rádio
e etc, todos os dias e observe o que ocorre na prática.
O ocorrido vai demonstrar se a tendência da previsão
vai ser acelerada, estável, variável ou imprevista.
Para um XC, preste bastante atenção no anúncio
de frentes frias entrando ou saindo, e se são estacionárias
ou não; massas de ar quente sobre a região de
vôo, que podem favorecer a formação de
nuvens; zonas com incidência de chuva a contra vento
da região de vôo; direção e variação
da intensidade do vento e variação entre temperaturas
mínima e máxima previstas.
Como dica final sobre leitura meteorológica, sugiro
que cada um desenvolva o hábito que ler a condição,
pelo menos no dia de vôo, desde cedo. Em dias de nuvens,
observe o horário e orientação do início
das formações, a duração e tamanho
das mesmas, a quantidade e se há aglomeração,
observe as regiões que estão ficando no azul
e variação de intensidade do vento. Em dia de
céu azul é um pouco mais complicado e é
preciso estar atento para sinais como intensidade e orientação
do vento, dusts, comportamento de fumaças e etc.
Navegação? Sim, vôo de distância
é um vôo de navegação. Navegação
meteorológica, em rota favorável à sustentação,
evitando as desfavoráveis, e sabendo onde e quando
ir mais rápido ou mais devagar para não perder
o caminho, e navegação geográfica, em
rota segura para resgate e em direção a regiões
que favoreçam a continuidade do vôo e seu distanciamento.
Ambas as navegações são imprescindíveis
para um bom XC. Saber escolher o caminho de melhor condição
para sustentação, tendo em vista um vôo
longo e não somente o próximo Km, é uma
situação de indecisão para muitos pilotos.
Muitas vezes um vôo de 100Km esteve te esperando após
um buraco azul, no Km 15, que você não teve coragem,
ou técnica, para atravessar. Como a maioria, você
optou por seguir aquela nuvem que te garantiu um pouso no
Km 30. Não entendeu? Calma, a experiência vai
lhe explicar melhor.
Não deixe de observar que, quanto melhor você
aprender a navegar, mais rápido você irá
voar. Isto mesmo, ao contrário do que alguns, ou muitos,
pensam, velocidade de vôo é resultado de uma
navegação bem feita e objetiva.
Como dica especial sobre navegação, sugiro que
cada um aprenda a estabelecer seu perfil de vôo de acordo
com a condição do dia. Entenda o momento de
tirar de uma térmica e, ao definir o ponto de referência
de sua transição, não fique parando no
meio do caminho para garantir só mais um pouquinho
de altura. Experimente, confie e veja o seu vôo acelerar
consideravelmente.
Como uma dica extra, sugiro que cada um desenvolva o hábito
de sistematizar o que fazer quando entra numa térmica:
Primeiro, localize o ponto de melhor subida e garanta uma
constância. Neste momento o seu maior objetivo é
ganhar altura. Depois disto, enquanto se ganha altura, comece
a definir a sua referência para uma transição.
Definida a transição, é mandar embora
sem hesitação. Este segundo passo é esquecido
por muitos pilotos e também atrasa muito um vôo.
Quando se tem este hábito, o piloto aprende a voar
baixo e rápido em condições de farofa
e aprende a usar a térmica atual como porto seguro
esperando uma virada de ciclo ou planejando uma travessia
de azul.
Parece que chegamos ao ponto... térmicas. Conhecer
térmicas não exige tanto estudo quanto observação.
Voe, voe, voe e observe, observe, observe. Onde foi que você
foi e ganhou tudo? Qual era o formato do relevo? Como estava
a nuvem quando você jogou para baixo dela e só
fez descer mais e mais? Um dia de muita farofa... o vento
tava forte, moderado ou fraco? Seu amigo jogou na cordilheira
e pregou e você jogou do outro lado dela e ganhou tudo...
de que lado o sol incidia no solo e qual era a orientação
do vento? Viu quanta aula você deixou de assistir na
prática?
Talvez vocês estivessem esperando que eu escrevesse
algo direto como, busque terrenos planos com acidentes geográficos
ou áreas descampadas... voe de tal lado das cordilheiras...
observe um piloto que a baixa altura, antes de pousar, ficou
boiando e não subiu... as nuvens estão se formando
quando sua base é mais definida e se esfarelando quando
seus contornos se esfiapam... atrás de zonas de rotor
dinâmico tem boas ascendências e atrás
de lagos tem bons pousos e etc. Acreditem, vocês vão
achar estes detalhes nos livros ou ouví-los na rampa.
O que dificulta um XC é a inobservância de como
a condição, num todo, está se desenvolvendo
em cada dia específico.
Por fim, não que um vôo de XC se resuma ao conteúdo
aqui abordado, vamos falar da pilotagem. Pilotagem ativa...
o que será isto?
Recentemente falei para um amigo que fui forçado a
aprender a pilotar ativamente, sem sequer saber o que isto
significava para a segurança do vôo. Meu primeiro
parapente, o No 1, foi um Tornado S da FreeStyle. Uma vela
Competição de 1992. Foi o meu companheiro no
tal CB em Valadares, nos idos de 1995, e me ensinou a respeitar
todo e qualquer parapente que coloco sobre a cabeça
hoje em dia.
Pilotar ativamente é se antecipar a toda possibilidade.
Quando digo antecipar a possibilidades, digo se preparar para
evitar as negativas e aproveitar as positivas.
Imagine que você está voando acelerado numa transição
e, de repente, vê um urubu a sua frente bater numa boa
térmica. Vais esperar a negativa dela para tirar o
pé do acelerador e se reposicionar na selete? Você
está boiando num vale e sente que o vento acelerou
e reduziu no seu rosto. Será que não está
prestes a acontecer algo? É como reduzir a velocidade
do carro ao avistar uma curva; é como parar antes de
um cruzamento... antecipar é se preparar antes.
Como dica para este tópico, fica a sugestão
de prestar mais atenção no desenvolvimento da
condição ainda na rampa; aprender a ver o velame
com as mãos, elas podem perceber muitas variações
imperceptíveis aos olhos, o que possibilita reações
pontuais e sob medida; deixar o velame voar com mais liberdade,
apenas acompanhando seu comportamento e mantendo sob controle
suas reações às nuances da atmosfera;
observar a condição a sua volta e na rota de
vôo e registrar o que se vê versus o que se sente.
Espero que este texto tenha deixado claro que, a prática
é a melhor forma de aquisição de milhas
num programa de XC e que, a capacidade de observar e entender
a condição a nossa volta, é o fator determinante
de sucesso ou fracasso de cada um.
De agora em diante, boa milhagem.
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