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XC – O importante é saber seguir em frente
Por Júnior
CB
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XC – O importante é saber seguir em frente
Por Júnior CB
Muitas vezes, percebo que a maior preocupação
de um piloto que inicia suas investidas no XC é sobre
como achar uma próxima térmica. Será
que esta é realmente a grande questão do XC?
Então, vamos juntos trilhar os caminhos de mais uma
descoberta.
Seguindo em frente
Muitas vezes, decolo com alguns pilotos locais em algumas
rampas onde vou fazer XC e vejo todo mundo subindo bem na
1a térmica, na 2a térmica, na 3a térmica...
Observem: todo mundo achou a 1a e algumas próximas
térmicas. Só que o resultado final do vôo
acaba não sendo tão interessante sob o aspecto
de distância produzida.
Faça uma reflexão você também:
quantas vezes você achou algumas próximas térmicas
e acabou não conseguindo produzir uma boa distância
no final das contas?
Vamos ao início de tudo: a 1a térmica. Apesar
de parecer uma coisa simples, a forma de utilização
e o posicionamento desta já podem ser indício
de um vôo com maiores ou menores possibilidades.
Muitas vezes o piloto decola e só se preocupa em subir.
Na verdade, muitas vezes o piloto não tem um plano
de vôo ou, quando o tem, este não foi bem elaborado
com respeito às possibilidades de evolução
da condição e o vento meteorológico.
Só que um piloto aspirante a voar longas distâncias
deve se lembrar que um XC começa com os pés
ainda no chão, no briefing com seu resgate e/ou parceiros
de vôo.
O piloto deve decolar e ter em mente buscar a 1a térmica
numa posição e momento que já facilitem
o trabalho de conexão com a condição
fora da rampa de acordo com a rota estabelecida para o dia.
Este deve levar em consideração, para isto,
a intensidade do vento, as limitações geográficas
do relevo, a disponibilidade de infra-estrutura de resgate
e, certamente, a condição (formações
- quando houver). O piloto deve também estar atento
para não deixar a deriva lhe vender no início
do vôo. Apesar de ser maravilhoso estar subindo numa
térmica, avalie se a altura que você está
ganhando, juntamente com o terreno derivado, está virando
um fator a seu favor ou um problema.
Esta técnica visa, além de minimizar o tempo
de start do XC propriamente dito, reduzir o desgaste físico
e o stress do piloto. Além do mais, começando
em uma situação favorável, o piloto já
deve ver cair por terra, não mais o seu vôo e
sim algumas dificuldades bobas criadas por ele mesmo.
Outro ponto importante, e que convido o piloto a experimentar
na seqüência, é observar o que o motiva
a abandonar uma térmica e seguir em busca da próxima
e como ele decide quanto à direção desta
busca.
O que recomendo, é que a motivação para
a próxima térmica (ou área favorável)
deve ser resultado de uma boa mistura entre a preocupação
com o tempo, um bom posicionamento atual e uma boa avaliação
da condição à frente, dentro da rota
estabelecida. O piloto deve observar os obstáculos
(geográficos e meteo) à frente (cordilheiras,
rios, florestas, sombreamentos, buracos azuis e outras roubadas)
e iniciar um posicionamento favorável o mais cedo possível,
evitando assim ângulos muito abertos de correção
mais adiante, o que é sempre um problema com o nosso
bom e velho amigo vento. Eu recomendo que o piloto sempre
evite ângulos maiores que 20o em relação
à rota.
O 1o grande truque de um bom piloto de XC é conseguir
transformar cada metro de altura no máximo de metros
de distância possível. Então, ele deve
navegar o tempo todo com duas coisas básicas na cabeça:
objetividade e velocidade. Quanto mais objetiva for cada transição
de uma térmica para um ponto favorável (possível
próxima térmica) dentro da rota, mais produtivo
será cada metro de altura consumido e, quanto mais
rápido for o vôo durante as subidas e as transições
(não estou dizendo para voar full speed) mais horas
produtivas o piloto terá pela frente e, conseqüentemente,
mais km poderá produzir.
Um outro vício que cria a ilusão de ser uma
situação positiva durante um XC é o piloto
ficar parando para enroscar em todas as térmicas que
ele encontra pelo caminho. Bom, se o objetivo deste piloto
for apenas se manter em vôo até o final do dia,
talvez seja uma boa estratégia. Agora, se o objetivo
for colocar o máximo de distância entre os pontos
de decolagem e pouso (XC), não é não.
Um piloto, que voa racionalmente, sabe que toda vez que ele
está enroscando não há conquista considerável
de terreno e que o tempo está passando. Então,
é muito importante começar a corrigir este vício
e se livrar da insegurança de ficar baixo. Ficar baixo
faz parte de todo vôo XC.
O ideal é o piloto trabalhar bem cada térmica,
afinal subir rápido soma velocidade para o vôo
e decidir com inteligência suas transições.
O objetivo de uma transição é conquistar
km. Então, desde que a rota tenha sido bem planejada,
é voar o mais caudal (vento) possível, sempre
com alguma velocidade adicional (veja tabela abaixo) e não
hesitar, parando em tudo no meio do caminho, com medo de não
achar nada na área escolhida para a transição.
Tabela Básica para Uso do Speed nas Transições
(S2F)
? Térmica Esperada Acima da Média ( > 3,5m/s
) = Até 50% de Speed
? Térmica Esperada Média ( > 1,5m/s e <
3,5m/s ) = Até 30% de Speed
? Térmica Esperada Fraca ( < 1,5m/s ) = Speed só
para fugir das descendentes mais fortes
Certamente existem várias outras dicas para se trabalhar
alguns vícios que vão minando as possibilidades
de maiores distâncias durante um vôo. De qualquer
forma, estas aqui citadas já vão lhe mostrar
que um bom vôo de XC depende mais do que o piloto faz
com a altura que ele ganha do que a sua habilitade para achar
térmicas.
O ideal é colar nos pilotos com rendimento regular
acima da média e ir pegando algumas dicas preciosas
ou fazer um curso específico para XC.
Bons e longos vôos!
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